sexta-feira, maio 20

A poesia do século



Nós não cultuamos do tédio aquele silencio instalado, não mergulhamos fundo, nos satisfazemos com o raso, o toque da mão  o beijo, o olhar mais demorado, pé na grama, a madeira do móvel, as flores bonitas do vaso. Não mergulhamos mais fundo , José se deu por afogado, com os olhos sempre distantes,a procura de um amor retratado, no álbum de fotos da família ou por um poeta abobado.Nossos pescoços doloridos apoiam a cabeça pra baixo,as informações se acumulam,santa e diária refeição, eu engulo uma a uma sem tempo pra digestão,e se entre um feriado o sol ensolarado,  não  afronta a televisão
eu  penso como seria sem toda essa alienação.Mas enfio tudo o que pude  dentro de um “status” bem ligeiro,é que eu fui aparelhado a gostar de aparelhos preencho todos os vazios lacuna a lacuna, sacio toda essa fome, na tela do smartfhone, sem bares, luar ou quitutes a maior riqueza de um homem reluz em seu facebook, a velocidade dos misseis no Afeganistão  não releva a velocidade da minha   conexão. INEPTOS, INAQUEDADOS, desatentos, desfocados, não percebemos o amor, que habita ao nosso lado. Amor não é aplicativo, não existe controle não, é um mergulho no fundo é a desconexão com o mundo pra ele não tem botão. Um dia o amor soprou no meu ouvido mansinho eu tão apressada não respondi com carinho, era um show do Zeca baleiro eu tinha o cigarro ele  o isqueiro,eu registrava tudo e ele aplaudia atento José aprendia melhor ao ver e a tocar eu copiava e colava pra facilitar, mas meus olhos grandes o atraia , me disse que eu exalava um cheiro de vermelho sem entender só sorri, mas senti colorir meu corpo inteiro, trocamos muitas palavras me desfocava sua voz, ele me intrigava e logo tornamos  nós,{toque das mão  o beijo, o olhar mais demorado, pé na grama, a madeira do móvel, as flores bonitas do vaso.}Hoje houve chuva, raio e trovão faz tempo que não olhava pela vidraça e então,recordo das brincadeiras de criança nessa ladeira, unindo todo o quarteirão,que outrora era tão envolvida por véus da nossa criação, hoje é envolvida por fios que unem e separarão. De meias pela casa,  recordo de antemão as cordas de um violão as flores amarelas  no portão, um cartão, as letras escritas “a mão”  já me tiravam do eixo e hoje já é muito, já é tanto,  uma mensagem de texto.Pensei em José , calei. Zé  viu mais paisagens do que aquelas em que fotografou abria um vinho  e eu  uma aba aleatória abriu todas as cortinas, e o fez assim , em vão pois a luz do sol embaralhava as imagens na televisão.José foi o único que abriu a porta de um mundo gentil que resistiria a esse apagão.


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